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Nuno Silva é o "Roleta", alcunha que lhe ficou de miúdo, pela sua predilecção por essa técnica, nos jogos de matraquilhos.
Tem 43 anos, é do signo Carneiro, e carneiro que recua… é só para ganhar mais balanço.
Fez tropa na Força Aérea e passou dois anos na Base das Lajes. Depois fez-se à estrada e como motorista profissional de pesados, durante dez anos, viajou por essa Europa fora.
Um dia decidiu largar o volante e agarrar-se às pizzas com "unhas e dentes". E como "quem tem unhas é que toca guitarra", os clientes da DOSE, provaram, gostaram… e é por isso que á muitos anos ele é considerado o "Rei das Pizzas".
ENTREVISTA
Nuno, como foi o começo e o gosto pela restauração?
Comecei aos 15 anos na Havanesa, que considero ser a casa mãe da restauração no concelho de Torres Vedras. Trabalhei lá até aos 19 anos, idade em que fui para a tropa. Quando saí da tropa interrompi a actividade na restauração por dez anos, mas o "bichinho" ficou cá sempre, a moer. Como era motorista internacional e por força das circunstâncias, tinha que comer sempre em restaurantes, fui conhecendo um pouco de tudo nessa área por todos os países onde passei, mas de facto não tinha nos meus planos voltar a dedicar-me á restauração.
E como é que esse retorno aconteceu?
Quando estava em Torres Vedras e porque moro por perto, vinha muito à Pizzeria Dose. Um dia estava de partida para a Holanda e a Dona Joana, antiga proprietária, enquanto eu almoçava na esplanada, abeirou-se de mim, pediu-me licença para se sentar e qual não foi o meu espanto, perguntou-me se eu gostaria de ficar com o estabelecimento. Ela queria vender e na sua opinião, eu era a pessoa ideal para dar continuidade à casa. Eu fui apanhado de surpresa com tal proposta e disse imediatamente que não, pois a minha vida era os transportes internacionais. Depois peguei no camião e fiz-me à estrada. Durante toda a viagem, a ideia de ficar com a Pizzeria não me saiu da cabeça. Quando regressei a Portugal acabei por fechar o negócio com a D. Joana e passei a ser o novo proprietário.
E está arrependido?
Antes pelo contrário. Foi uma das melhores coisas que fiz na minha vida. A Pizzeria existia desde Maio de 1994 e eu comprei-a em 1996. Na altura tinha 28 anos e foi a idade ideal para me estabelecer. Tinha experiência anterior na restauração e como viajara muito e conhecia pizzerias em toda a Europa, particularmente em Itália, tinha informação suficiente para desenvolver e consolidar este negócio.
Até 2001 o negócio esteve sempre em alta. De lá para cá houve quebras significativas na restauração e na maior parte dos sectores da economia nacional. Mas, mesmo assim, continuo a ter a casa cheia e a servir em média 50 a 70 pizzas diariamente.
Como definiria as suas pizzas?
Existem dois tipos de pizza. A pizza de inspiração italiana, com a massa extra fina e crocante e a pizza ao estilo americano, em que a massa é um pouco mais alta e fofa. Eu optei por este último, porque é mais apreciada pelos portugueses.
Relativamente ao cardápio parece haver pizzas para todos os gostos!?
Claro que sim! Temos 17 pizzas diferentes e uma delas, a pizza "À Sua Escolha", permite que o cliente seleccione os seus ingredientes preferidos.
Em 1996 começámos com um menu de 8 pizzas e fomos introduzindo novas variedades ao longo do tempo.
E com o surgiram essas novas opções?
A pizza "Roleta", que é a minha alcunha surgiu porque eu fazia especialmente para mim com os meus ingredientes preferidos. Os clientes foram-se apercebendo e às tantas começaram a pedir às funcionárias: "Traga-me uma pizza igual à que o patrão gosta!". Acabámos por baptizá-la com a minha alcunha. Da minha autoria são ainda as pizzas "América", "À Salsicheiro", e "Del Mar". As outras foram contributos de clientes amigos: a pizza "À Susana", também surgiu da preferência de uma cliente e fornecedora, que é quem me faz as ementas da Pizzeria.
A pizza "Especial" surgiu do pedido de um cliente, o amigo José Elias e da Fátima a minha esposa. Ele entrou já fora de horas e pediu-lhe que fizesse uma pizza com tudo o que estivesse à mão na cozinha, ela não foi de modas!… Fez-lhe uma pizza com os 11 ingredientes que estavam á mão de semear.
A pizza "Dona São" surgiu de um contributo da minha fornecedora de frango e a pizza "À Cristina" deve-se ao gosto pessoal de uma cliente e amiga de longa data, a Dª Cristina Abreu.
E de todas qual a que tem mais saída?
A "Camponesa" é de longe a mais preferida, em segundo lugar vem a pizza "À Susana" e em terceiro a "À Casa".
Tem ideia da quantidade de ingredientes que já consumiu, no fabrico de pizzas ao longo destes anos?
Fazendo as contas em camiões (risos)… o último balanço que fizemos ronda uns 8 camiões de 25 toneladas cada. É por isso que os meus clientes dizem que a pizza da Dose é a melhor da região Oeste.
Existe uma outra Pizzeria em Torres Vedras com o nome parecido. Tem alguma relação com esta?
Actualmente não. Em tempos fiz parte da sociedade, mas afastei-me há 3 anos. A única de que sou proprietário é esta. A outra tem um nome parecido, mas para que não haja confusões, a minha Pizzeria chama-se DOSE e está situada na Rua Santos Vaquinhas, nº 7, em Torres Vedras.
O Nuno Silva - o nosso "Roleta" e o "Rei das pizzas", também gosta de pedalar. Esteve ligado ao ciclismo e foi federado. Hoje continua a pedalar mas só por gosto, mais numa onda de "cicloturismo"…
o futebol também é um dos seus hobbies, e vejam lá, caros leitores, qual seria a sua posição no campo? Claro! Com a alcunha de "Roleta"… só mesmo guarda-redes!
publicado em "Folha do Café" - Janeiro de 2009